TAURUS: NOVIDADES E EXPECTATIVAS QUE PODERÃO IMPACTAR A EMPRESA

Após ter realizado um verdadeiro turnaround de três anos em todos os seus sistemas e processos, no Brasil e nos Estados Unidos, a Taurus Armas S.A. mudou radicalmente sua imagem junto a clientes, fornecedores, funcionários e acionistas. Hoje, a empresa entrega produtos de alta qualidade e de preço muito competitivo, o que a fez se tornar a líder mundial em produção de revólveres, a quarta marca mais vendida nos EUA e primeira mais importada por este país, que é o maior mercado mundial para armamento leve.

Com isso, seus balanços passaram a ser pujantes e a mostrar lucros e recordes significativos trimestre a trimestre, o que se refletiu positivamente junto aos acionistas e, consequentemente, no valor de mercado da empresa.

Além disso, a companhia passou a se comunicar muito bem com todos os seus públicos, sendo pioneira nas lives de resultados trimestrais e mantendo um contato constante através de diversas outras lives e entrevistas, acreditando que a transparência e a visibilidade pública são dois dos seus maiores trunfos.

Recentemente, a Taurus divulgou algumas novidades que, no “calor” dos excelentes resultados do primeiro trimestre, podem ter passado quase despercebidas, mas que são importantes para se avaliar as expectativas que a cercam.

Investidores institucionais
A empresa afirmou que está trabalhando fortemente junto a investidores estrangeiros e institucionais no sentido de mostrar seu potencial a esses importantes segmentos do mercado, já tendo registrado alguns sucessos. Ressaltou também que, como só neste ano passou a ter patrimônio líquido positivo, este fato a habilitou a entrar no radar desses investidores.

Revólver “mais barato do mundo”
A arma conhecida como o revólver “mais barato do mundo”, com capacidade de cinco tiros e custo de produção inferior a 80 dólares, já está sendo produzida pela Taurus, devendo ser divulgada em breve ao mercado.

O projeto geral, cujo nome na empresa é “Excelência Revólver”, utiliza os dois novos centros de usinagem horizontais (adquiridos em 2020) para fabricar as armações e visa à produção de revólveres em um novo conceito produtivo, muito mais moderno, com alta qualidade e eficiência, proporcionando maior valor agregado ao consumidor final, excelente custo-benefício, elevado volume de produção e alta qualidade.

Os centros de usinagem horizontais proporcionam economia de tempo e aumento da produtividade, quando comparados aos centros de usinagem verticais. Características próprias, como a troca de ferramentas de corte em menos de 2 segundos e rotações de até 20.000 rpm, garantem qualidade e precisão das peças usinadas.

A empresa redesenhou sua operação e investiu no aumento da automação do processo de fabricação, visando manter e ampliar a liderança mundial na produção de revólveres.

Além dos mercados americano e brasileiro, a arma poderá se constituir em um grande diferencial para o ingresso no mercado de armas civis da Índia, haja vista o seu baixíssimo custo e a facilidade de ser portado de maneira velada.

Segundo trimestre “histórico”
Por mais de uma vez, o CEO e o CFO da Taurus deixaram claro que o segundo trimestre de 2021 será “fantástico”, chegando a afirmar que poderá ser comparado ao que aconteceu do terceiro para o quarto trimestre de 2020, quando houve um excepcional salto nos resultados da empresa.

E motivos não faltam para tais afirmações, pois há uma conjunção de fatores positivos que poderão impactar o 2T21 de maneira “histórica”.

Em termos de produção, a companhia está com um recorde de 9.510 armas/dia, com tendência a aumentar ainda mais, pois a unidade americana está em pleno ramp up de produção, enquanto que a brasileira vai aumentando a produtividade por meio da otimização e racionalização de processos, aguardando a concretização de sua expansão de 50% que começará no final do ano.

backorder registrado (pedidos em carteira) é de cerca de 2,5 milhões de armas, com mais de 90% nos EUA, o que se traduz por cerca de 18 meses de produção à frente já garantida. Além disso, a demanda americana continua fortemente aquecida e os indícios são de que essa tendência continue firme, como demonstram os últimos números do FBI (NICS).

A fabricação da pistola microcompacta GX4, que já é um grande sucesso de vendas, está aumentando ainda mais o volume da unidade fabril americana. Como esta pistola, embora seja uma arma premium,  tem custo de produção muito próximo ao dos modelos atuais, haverá um aumento no ticket médio de venda e uma ampliação das margens de lucro.  

Além do esperado aumento nas vendas, o caixa da empresa será engrossado neste trimestre com o produto do fornecimento de 13.530 fuzis T4 para as Forças Armadas das Filipinas e de 4.500 pistolas TH9 para a Polícia Nacional de Burkina Faso, o que representará o ingresso de um valor em torno de 45 milhões de reais.

Por outro lado, caso seja mantido o atual cenário de valor da moeda americana, poderá se repetir algo semelhante ao que aconteceu no 4T20, quando este iniciou com um valor alto do dólar e finalizou com um valor mais baixo. Essa variação cambial ativa impactou positivamente na dívida em moeda estrangeira, compensou integralmente a receita dolarizada e gerou um lucro de quase 120 milhões de reais no referido período.

Joint Venture de carregadores
O carregador que está sendo produzido pela joint venture entre a Taurus e a Joalmi possui a qualificação premium, ou seja, é considerado igual ou melhor que os famosos Mec-Gar italianos. No entanto, enquanto estes são importados com um custo de 6 euros, os novos carregadores brasileiros custam apenas cerca de 17/18 reais, significando uma enorme economia para a empresa.

Em virtude da alta demanda do mercado brasileiro e internacional, a Taurus continua, por enquanto, mantendo a importação do item e está destinando os novos carregadores para o mercado de reposição, haja vista que este proporciona mais de 50% de margem de lucro.

joint venture se encontra em ramp up de produção, com cerca de 7.000 carregadores/dia, o que poderá aumentar consideravelmente após a Joalmi se instalar dentro do parque produtivo da Taurus em São Leopoldo no final deste ano, no bojo do Projeto Estratégico Condomínio. A nova fábrica terá uma capacidade instalada de 7,4 milhões de carregadores por ano até o final de 2022 e sua ampliação poderá ser antecipada, dependendo da atuação da empresa no mercado de reposição.

Surpresas?
Possuindo a melhor margem bruta do setor entre as fabricantes internacionais de armamento leve que divulgam seus dados publicamente, a Taurus Armas prevê investir, neste ano, cerca de 153,5 milhões de reais em Capex (aquisição de bens de capital: equipamentos e instalações). Prevê também que seu Ebitda anualizado para 2021 seja superior a 600 milhões de reais.

Esses e outros números fizeram com que a empresa afirmasse, no release dos resultados do 1T21, que ficará “atenta a oportunidades que possam surgir no mercado”. Tal afirmação está em linha com o que seu CEO afirmou posteriormente em mais de uma live: “A Taurus sempre pode surpreender”.

Quando questionados a respeito, tanto o CEO quanto o CFO se esquivam a fornecer maiores explicações, alegando um compreensível e necessário sigilo que tem que cercar iniciativas estratégicas como, por exemplo, ampliações, aquisições ou novas joint ventures.

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